HELENA
KOLODY
A poesia de Helena é como uma suave melodia que analtece a vida.
Em pequenos versos e poucas rimas a poetisa encanta o leitor com
sua simplicidade e amor à sua história . Portanto, em "síntese",
é fácil evidenciar a vida dessa grande poetisa que nasceu em 1912 no Município de Cruz Machado, em pleno sertão paranaense, sendo a primogênita de imigrantes ucranianos que se conheceram e se casaram no Paraná. Formou- se em Magistério pela Escola Normal de Curitiba e lecionou até 1962 em escolas públicas de Curitiba e Jacarezinho.
Helena, em princípio, foi muito criticada com argumentos de que o que escrevia "não era soneto, não tinha rima, não era poesia". Mas, ela gostava de desafios e assim tornou- se a primeira paranaense
"Hajin" ( pessoa que cultua Haicai), com o nome artístico de Reika ( perfume da poesia), concedido em 1993 pela comunidade nipobrasileira de Curitiba.
O haicai é uma forma de poesia japonesa, pequeno poema de três versos; com cinco, sete e cinco sílabas poéticas sucessivamente. Os haicais japoneses têm sua origem no canto, faziam parte de diários de viagem, numa interação prosa/ poesia. A concentração verbal dos haicais consegue o máximo efeito estético numa linguagem sintética. Em seu livro "Música Submersa"(1945), figura o haicai Pereira em Flor, o qual foi muito elogiado, inclusive por Carlos Drummond de Andrade. Eis o poema :
De grinalda branca ,
Toda vestida de luar,
A pereira sonha.
Neste poema torna- se clara a definição : "o Haicai é um poema curto que pode refletir a necessidade de captar um momento simples, cotidiano e torná-lo em poesia." Chama atenção a personificação da árvore. A linguagem do poema, aparentemente simples, mas altamente elaborada e metafórica, revela uma organização de imagens e associações criativas.
Helena Kolody foi vencedora de vários concursos, tema de filme, peça teatral e tese universitária; é autora de numerosos livros, sendo que "paisagem interior" (1941) foi o primeiro a ser editado, lem de vários outros como:|
"Música Submersa" ( citado anteriormente),
"Infinito Presente"(1980),
"Viagem no Espelho" (1995) e
"Caixinha de Música"(1996) .
O livro "Sinfonia da Vida"que teve como organizadora Tereza Hatue de Rezende, estudiosa da obra de Helena, reúne vários poemas da poetisa que escreve em "síntese". Certa vez ela foi criticada por um paranaense, crítico de arte no rio de janeiro, o dr. Andrade Muricy, que aconselhou- a :
"Você vai muito melhor no poema curto. Você quer encompridar e, ás vezes, você dilui o poema ou se repete. Você tem talento para síntese". Segundo a autora, daí em diante, começou a cortar os excedentes,. Deixando só o sumo essencial.
Para Helena Kolody poesia é: " A transfiguração/da realidade em beleza/ pela magia das palavras". E o poeta é: "uma alma sensível, captando seus próprios sentimentos, bem como os contecimentos do mundo que lhe ferem a sensibilidade."
Os mais variados temas estão presentes na obra de Helena. Alguns recordando seu tempo de menina como: "Cantiga de Roda"(1964); mostrando sua face ucraniana : "Lição"(1980); seu realismo e otimismo: "Nunca e Sempre"( 1990); sua religiosidade: "Sarça Ardente" (1970) ; suas paixões e perdas: "Nós" ( 1966) e outros deixam transparecer a sua maturidade poética
"Tríptico"(1985) e "Olhos de Antes"(1986).
Para instigar a curiosidade dos expectadores...
Significado
(1986)
No poema
e nas nuvens,
cada qual descobre
o que deseja ver. |
Nunca e Sempre
(1990)
Sempre cheguei tarde
ou cedo demais.
Não vi a felicidade acontecer.
Nunca floresceram
em minha primavera
as rosas que sonhei colher.
Mas sempre os passarinhos
cantaram e fizeram ninhos
pelos beirais
do meu viver. |
Fontes: Sinfonia da vida / D.E.L. EDITORA : Letraviva/ Pólo editorial do Paraná/1997.
Mariane de Oliveira
Veja a Biografia da Helena
Kolody |