|
Pouco antes
de completar quinze anos, Sofia começa a receber estranhas
correspondências. Entre as cartas do pai, que vive viajando a
trabalho, e as contas da mãe, começaram a aparecer envelopes
direcionados a ela, com perguntas filosóficas, cartões
postais do Líbano ou aulas de Filosofia, de um professor
completamente desconhecido, que a faz questionar-se de onde
veio o mundo e quem era ela, afinal.
É assim
que Jostein Gaarden começa e entrar n’O Mundo de Sofia. O
misterioso professor vai contando a Sofia toda a História da
Filosofia, dos grandes filósofos, suas idéias e teorias,
enquanto um major da ONU, ainda mais misterioso, lhe envia
cartões postais do Líbano, mas para desejar “Feliz aniversário”
à sua filha, Hilde, a quem Sofia desconhece totalmente.
A trama nos
envolve cada vez mais, pois junto com seu professor Sofia vão
fazendo descobertas fantásticas e se envolvendo em um mundo
antes inexplorado por ela, o mundo da Filosofia. E o leitor
participa dessas descobertas, aprendendo, compreendendo e
questionando o próprio mundo em que vive.
O romance
vai nos levando por um caminho de informações preciosas
sobre as quais todos deveriam ter conhecimento, enquanto nos
envolve na difícil tarefa de descobrir quem é o major e como
ele consegue controlar suas vidas através da realização e
fantásticos acontecimentos impossíveis na realidade, como
animais falantes ou personagens históricos que perambulam nos
tempos modernos sem se dar conta disso.
A partir de
então o rumo da história muda e nos surpreende. O major é
descoberto, Hilde é descoberta, o mundo real se transforma,
mas as maiores e principais questões filosóficas não são
respondidas, deixando-nos a certeza de que existimos, sim, mas
não podemos explicar que tipo de existência temos.
Concordar
ou não com isso depende de pontos de vista pessoais, mas é
imprescindível concordar com o fato de que para saber é
preciso admitir que nada se sabe.
O livro
mostra muito mais do que essa simples afirmação (“só sei
que nada sei”), não obstante deixa a desejar quanto ao
final da história. De qualquer maneira, deve ser lido. As
conclusões, como já foi dito, serão tiradas
particularmente, sem precipitação.
Joyce |